A mecânica das decisões
Publicado em: segunda-feira, 6 de abr de 2020
Categorias: Carreira Dev

Chegou a hora de avaliarmos o mercado, a situação na qual estamos e entender quais movimentos são possíveis. Entender friamente o que pode acontecer e quais são os movimentos possíveis nesse tabuleiro, nos permite antecipar ações para minimizar os efeitos de sermos atingidos de surpresa.

Esse texto estava sendo escrito para dar suporte a uma lista de 10 formas de reduzir custos usando containers no seu dia-a-dia. De desenvolvimento a produção, para desenvolver software ou apenas implantar soluções open source que poodem dar suporte ao teu dia-a-dia.

Por maior que seja a dor, e talvez a angústia, saber quais são as possibilidades nos permite simular mentalmente cada uma das opções e variações e já começar a antecipar possíveis soluções.

Entender os movimentos do mercado e como as empresas processam essas decisões pode lhe tirar o sono. Não estou aqui para passar pano, nem ser alarmista. Quero apenas entregar uma visão clara e realista sobre o que está sendo decidido, o que está em jogo. E sinceramente, algumas lideranças serão mais “humanas” e outras menos. Não trago essa questão para a pauta. Não é meu papel fazer esse julgamento público.

O que eu posso dizer, é que o console de videogame, a piscina de bolinha, a mesa de sinuca ou pebolim não quer dizer absolutamente nada. É agora que vemos de fato quem realmente se importa com e seus times e as famílias por trás de cada funcionário.

Se você sabe o que está em jogo, você tem a oportunidade de tomar a rédea de sua vida. Você pode encarar essa situação com conformismo, ou pode aproveitar essa oportunidade para ajudar a si mesmo, seus colegas, sua empresa. O que queremos é minimizar os estragos.

Algumas soluções precisam de esforço prévio, ou pelo menos um estudo de viabilidade. Mas se você já está preparado, o máximo que pode acontecer é um medo/receio se confirmar, muito diferente de estar à deriva e ser pego de surpresa.

Em tempos de vacas gordas

Em um cenário de abundância, conseguimos contratar de forma segura, vislumbrando o ritmo da economia e dos projetos que chegam. Com uma equipe de venda que funcione, e um time de delivery que entregue, aparentemente qualquer problema é marola, e assim como nos investimentos, uma carteira sólida e diversa de clientes, sustenta algum desvio negativo em uma parte ou outra.

A sacada é a diversificação de contratos para minimizar instabilidades pontuais. Mesmo se um segmento inteiro de mercado venha a sofrer com alguma crise, essa diversificação propicia que setores mais favoráveis e contratos mais gordos sustentem a média em tempos de quedas de outro segmento do mercado.

Assim em tempos normais, o que temos é crescimento, com margem para eventuais problemas aqui ou acolá.

Em tempos de vacas magras

Em tempos de crise, empresas se veem obrigadas a buscar otimização da receita, com movimentações internas migrando profissionais e esforços para os segmentos de mercado que são mais promissores. É nesse momento que você reduz o esforço para atender um mercado em crise e coloca mais esforço para atender mercados que estão em uma situação mais próspera. Isso equilibra as contas e facilita a gestão.

Essa dinâmica funciona bem partindo do pressuposto de que crises existirão, o mercado oscila, mas sob hipótese alguma esse modelo prevê uma crise generalizada, em todos os segmentos.

E aí vem a pergunta: Mas e quando todos os mercados, ou pelo menos os mercados em que você atua, estão em crise?

O malabarismo é outro!

A crise

O fluxo de caixa (razão entre entrada e saída de dinheiro) é sempre um termômetro bem lúcido a respeito da saúde financeira de uma empresa. Se você tem um fluxo positivo, você está dando lucro. Se você tem um fluxo negativo você está dando prejuízo (estou ignorando metas de lucro).

Mas a sazonalidade dos mercados faz com que a visão mês-a-mês não reflita a realidade. Enquanto empresas americanas em geral trabalham com um ano fiscal de julho-a-junho, aqui no hemisfério sul temos um ano fiscal de janeiro-dezembro.

Dependendo da sua carteira de clientes, dos contratos que possui, é possível enxergar meses de maior lucro e meses de menor lucro. Para algumas empresas, é possível ver meses de lucro e meses de prejuízo. Independente do cenário, em geral o resultado anual é a melhor medida para determinar o sucesso financeiro.

Você já deve ter ouvido algo como “balanço anual”. É disso que estou falando.

O problema é que:

  • Não é só uma crise de confiança.
  • Não é só uma crise.
  • Não é só uma recessão.
  • O caso é que estamos diante de uma POSSÍVEL depressão.

Isso quer dizer que, para as empresas que possuem lastro, ou ainda que possuem capital com alguma liquidez, será necessário usar do lucro passado para manter-se operacional, enquanto não chegam novas receitas. O problema é que uma parte considerável do mercado não tem sobras suficientes para manter-se por muito tempo. E as perspectivas não são animadoras.

A partir dessa realidade empresários, board e acionistas precisam optar pelos rumos da empresa e:

  • Umas decidirão investir a qualquer custo para assegurar sua existência
  • Outras decidirão investir com um limite (tempo ou budget)
  • Outras decidirão fechar as portas

Spoiler: Elas decidirão independente de ter ou não capital para sustentar-se sem receita.

Não estou aqui no papel de expor publicamente meu julgamento a respeito dessas empresas. Me reservo o direito de não tecer opinião pública a esse respeito.

O empréstimo é uma opção válida e há linhas de crédito destinada a diversos segmentos e para diversas finalidades. No SEBRAE é possível enxergar notícias a respeito do acesso a crédito por conta da pandemia de covid-19.

Não há meio termo: Todas as empresas que estão sem receita precisam tomar decisões e até não decidir, é decidir continuar como está.

Números

TI

Se olhamos para a categoria TIC (tecnologia da informação e comunicações) na busca por carteira Sebrae, vemos um número ainda mais agressivo. Convido você a olhar esses dados no datasebrae.

O segmento de TI

76%

Das empresas de TI são Microempresas

98.060

Das empresas de TI são Microempresas

A questão que quero ressaltar é que o mercado de TI é composto em sua maioria por empresas pequenas. Embora a sua empresa possa movimentar milhões mensalmente, as grandes não são maioria. Elas possuem uma fração do mercado.

Qual a relevância dessa informação?

Em geral grandes empresas possuem mais lastro e capital a ser empenhado para sustentar-se na crise.

A pergunta que fica é como essas microempresas (76%) de TI se sustentarão?

Quantas dessas possuem capital para se sustentar 2 ou 3 meses sem receita?

O problema não reside em quem é grande. O problema reside em quem é pequeno.

Brasil

Abaixo eu trago números, novamente do DataSebrae, sobre distribuição de MEI, ME e Médias/Grandes empresas (todos os mercados).

Distribuição entre MEI, ME e Médias/Grandes

MEI

51%

Do total de empresas do país

ME

34%

Do total de empresas do país

Empresas médias e grandes

15%

Do total de empresas do país

E não ache que só porque você está em uma grande empresa, não será afetado, afinal, quem é teu cliente? Ou quem é cliente do teu cliente?

Entender a cadeia de consumo de produtos/serviços permite entender os movimentos do mercado.

Não acho que dê para fazer uma projeção detalhada, meu propósito nem é esse. Me atenho a alertar para um futuro que não estamos vendo por estarmos na bolha dos grandes centros e principalmente por estarmos em casa.

Nossos clientes

É importante ressaltar que o número de ME’s em São Paulo é fundamentalmente grande por uma questão cultural. É comum ser PJ em São Paulo e região, e aproveitando que estamos com um dashboard do Power BI pronto, que tal removermos da conta os CNAEs de TI?

Quando olhamos para o mercado removendo TIC (Tecnologia da Informação e Comunicações), temos:

Esse gráfico é importante pois na maioria das vezes esses são os clientes e consumidores diretos e indiretos das pequenas empresas. Se não são nossos clientes, são clientes de nosso clientes.

  • E-Commerces
  • Hub de serviços locais
  • Micro ERP’s
  • Sites
  • Sistemas de Logística
  • Automação comercial

Onde eu quero chegar com isso?

Esse público é extremamente impactado com paralisação. E a proposta desse texto é mostrar isso, pois no próximo texto vou falar de como podemos oferecer alternativas para a redução de custos e otimização de infraestrutura. Mas isso não seria possível sem contextualizar a respeito do que teremos pela frente.

Mas se você acha que nada vai mudar, que não faz sentido se preocupar, pois seu salário vai cair no final do mês, e ainda acha que é alarmismo dizer que muita gente vai quebrar e que obrigatoriamente quem demite é filha da puta: Bom, um pouco de realidade pode ajudar. Entender o mercado permite entendermos quão privilegiados somos.

Para um percentual da audiência do site, o que estou escrevendo aqui é óbvio, eles já estão vendo diretores descabelados e preocupados com demissões que já ocorreram ou que vão ocorrer no futuro próximo.

Não acaba por aí

Sim, não acaba, quem decidir continuar de pé tem outros desafios pela frente.

Para quem não pretende fechar as portas algumas perguntas precisam ser respondidas:

  • Por quanto tempo conseguimos segurar como está?
  • O que dá para cortar, sem cortar equipe?
  • Qual é o tamanho (R$) da folha de pagamento?
  • Quanto tempo conseguimos segurar com essa folha de pagamento?
  • Quanto tempo de sobrevida ganhamos se cortarmos X% da folha?
  • Quem são os profissionais indispensáveis nesse momento?

São decisões a respeito de redução de carga horária, ou até redução do quadro de funcionários, contratos e terceirização. De um lado são pessoas, mas de outros são números. E esse balanço é incrivelmente complexo, principalmente quando você não tem caixa, e não tem perspectiva.

Quem acumulou dinheiro ao longo dos anos e consegue reinvestir, mesmo que pela força do momento, tem serenidade para pensar nas pessoas.

E há quem não consegue? Quem está com a corda no pescoço, ou é pequeno demais, tem compaixão, mas não necessariamente tem dinheiro para se sustentar parado (as linhas de crédito que citei fazem todo sentido aqui).

No final das contas estamos falando de números.

Qual o custo de imagem ao demitir uma parte da empresa? Felizmente, demissões nunca custaram tanto em imagem para as empresas quanto hoje. Isso ajuda empresas conectadas e empenhadas na produção de uma boa imagem e reputação a pensarem duas vezes antes de demitir. Afinal, parece cruel demais (na atual conjuntura), e naturalmente o mercado reagirá a isso de alguma forma quando a poeira baixar.

No final das contas executivos tomarão decisões, e sua vida pode ser influenciada por essas decisões. Na maioria das vezes você não tem ação nenhuma sobre essas decisões.

Volto a dizer que não estou aqui para fazer juízo de valor a respeito dessas decisões. Pelo menos não estou aqui para publicizar minha avaliação.

Como podemos ver na mídia, essas decisões já estão sendo tomadas.

A força do coletivo

Enfim descobrimos como usar as redes sociais para nos unirmos e falarmos a respeito do poder do coletivo na decisão política, mas também nas políticas das empresas. Movimentos de demissão são compartilhados e analisados de forma a produzir uma base de empresas que se mancham ao demitirem. Da mesma forma como na contramão das demissões, empresas assinam o manifesto Não Demita.

Muitas empresas já entenderam que demitir produz um custo de imagem muito grande.

Em um mundo conectado, onde as pessoas discutem tudo, forçar desenvolvedores de software a ir ao local de trabalho, custará muito caro para a imagem das empresas que estão forçando a barra.

O que é um emprego?

Se você não entendeu ainda, e sinceramente, deveria, quando você está empregado, você está vendendo seu tempo. Isso quer dizer que X tempo por mês será pago com Y dinheiros.

Qualquer relação que envolve pagamento, é uma relação onde quem paga, acha que dar aquele montante de dinheiro vale a pena em relação ao benefício do produto ou serviço que receberá em troca.

Da mesma que do outro lado, o fornecedor acredita que vale mais a pena receber aquele montante de dinheiro em troca do produto ou serviço do que esperar outro que pague mais.

E há momentos em que ambos aceitam acordos desbalanceados, dá parea vislumbrar 2 fatores: Tempo e Oportunidade adjacente.

Nessa balança, quanto maior sua capacidade de trazer resultados, melhor posicionado você estará. Claro que existem outros fatores, mas eles no final das contas serão transpostos em uma relação de valor em que se questiona se vale ou não vale a pena.

Fato que se você é eficiente e eficaz, você não será insubstituível, ninguém é, mas suas chances de prosperar e passar ileso são maiores do que quem não é nem eficaz, nem eficiente. E é sob essa ótica que eu consigo te ajudar.

O que podemos fazer?

Na verdade esse post era inicialmente sobre oportunidades de redução de custos que possivelmente poderiam significar a permanência de um ou mais profissionais por time. A intenção original era mostrar 10 oportunidades de redução de custos com o uso de containers. Mas contextualizar estava ficando algo tão complexo, tão extenso, que resolvi produzir esse texto primeiro, para poder tocar nesse assunto no próximo post.

Mas independente do próximo post, o que você pode fazer é ajudar a fazer mais com menos.

Se você reduzir um custo de infraestrutura de 20k para 10k. Já temos alguns poucos empregos garantidos, não?

Reduzir esforço, automatizar mais e otimizar mais, tudo isso ajuda na eficiência operacional.

No final das contas é fazer mais, com menos.

Entre cortar pessoas ou cortar trabalho burro, não otimizado ou que custa mais caro, eu prefiro manter as pessoas e otimizar a execução e o consumo de recursos.

Fontes:

Todos os dados foram extraídos do Datasebrae. O DataSebrae é um portal de BI do Sebrae com dados sobre empresas de todo o país. É feito com Power BI.

Luiz Carlos Faria

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